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Katarina Meissonier – Medicina Veterinária – UFF

Se minha mãe não tivesse me dado educação”, eu não daria o meu lugar no ônibus, independentemente da cor do banco; eu não ficaria segurando um copo vazio na mão até achar uma lixeira e eu certamente bateria boca com quem me fizesse esse tipo de afirmação “aos berros”.

 

Fui educada em uma escola relativamente pequena, onde as diretoras e professores sabiam, não só o meu nome, mas quem eram meus pais, meu irmãos e as pessoas que me rodeavam.

Minha mãe era a única oftalmologista de uma cidade pequena com muitas pessoas carentes e várias vezes voltou pra casa com sacolas cheias de limão, batata e várias outras “moedas” características da famosa agricultura familiar. Meu pai é dentista, mas construiu a minha casa junto com os pedreiros, um tijolo por vez.

 

Nunca me faltou nada realmente importante, mas nunca me sobrou nada que me fizesse desmerecer o que eu tinha, pra que eu pudesse aprender que nem tudo da em árvore, e que mesmo que desse, eu teria que aprender como planta-las.

 

Hoje tenho 23 anos, não sou santa, não sou gênio, não estou nem perto de caminhar pelos meus próprios pés como imaginava que estaria quando brincava de “o que você vai ser quando crescer?”…mas tenho caráter e educação.

 

À todos os funcionários da minha antiga escola, meu obrigada por concretizarem os conceitos de respeito e bom convívio que tanto ouvia em casa, uma vez que foi la a minha primeira noção de mundo e sociedade. À minha mãe, o meu obrigada por me mostrar que é melhor você receber um sorriso e uma galinha do quintal de alguém do que andar no carro do ano sem nenhuma satisfação emocional. Ao meu pai, agradeço por me ensinar com quantos paus se faz uma cano e me mostrar que botar a mão na massa não é vergonha alguma, e sim uma virtude.

 

Me perdoem aqueles que tiveram tudo e se esqueceram de aprender que riqueza mesmo é aquilo que a gente carrega pra todos os lugares sem nem perceber. Mais amor, mais caráter, mais respeito…Amém.